Síndrome do Impostor: o que é e como afeta os empreendedores


Julga que não é bom em nada e receia ser descoberto? Se pensa assim, pode estar a sofrer da Síndrome do Impostor.  Saiba o que é, quais as suas consequências e o que fazer para se livrar dessa sensação de não merecimento e desvalorização pessoal.

Tem dias em que sente que é uma fraude, parece que não sabe nada, não é bom naquilo que faz, e que está a enganar os outros, mostrando ser uma pessoa diferente da realidade? Tem dificuldade em acolher elogios pela sua competência profissional?

Pois, acredite, esse sentimento afeta igualmente a maioria dos empreendedores

Apesar de o início da jornada por conta própria exigir espírito de iniciativa, autoestima e muita vontade de concretizar, também é verdade que obriga a muitos outros desafios. Perante contingências diversas, os empreendedores começam a duvidar das suas próprias capacidades. E isso traz fragilidade e insegurança. É absolutamente normal ter estes sentimentos, especialmente em alturas em que o reconhecimento chega. 

No entanto, quando estes sentimentos persistem no tempo, em que o empreendedor se sente inferior quando comparado com outros profissionais, em que criou na sua cabeça a ideia de que é incompetente, ele poderá estar a viver aquilo que hoje se designa de Síndrome do Impostor

É importante perceber quais os sintomas da Síndrome do Impostor e evitar que a autossabotagem se instale e as suas competências sejam abafadas. Por vezes, quando um termo é repetidamente falado, como a síndrome do impostor, pode banalizar-se a tal ponto que deixe de ser considerado importante. 

Atenção, a Síndrome do Impostor é um assunto sério!

Do ponto de vista da psicologia, a Síndrome do Impostor é a sensação de não merecimento da valorização que nos atribuem. Não é uma doença mental, mas sim uma desordem em que a pessoa tem dificuldade em reconhecer as suas capacidades, escolhendo inconscientemente a via da autossabotagem, morrendo de medo de ser desmascarado na sua “mentira”. O que, por sua vez, pode levar ao desenvolvimento de doenças mentais.

Pauline Clance foi uma das primeiras profissionais que identificou este fenómeno nas suas consultas (1985), em especial com mulheres bem sucedidas profissionalmente. Posteriormente, em 2011, os investigadores Sakulku e Alexander aprofundaram os estudos sobre o ciclo da Síndrome do Impostor.

Mais recentemente, investigadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, concluíram que existe uma relação entre a utilização de redes sociais profissionais, como o Linkedin, e a Síndrome do Impostor. O estudo foi publicado na revista científica de psicologia e marketing e dado a conhecer através da revista Visão.

Citando um dos investigadores: “ Basta navegar no feed de notícias ou mesmo publicar uma conquista no LinkedIn para desencadear uma reflexão sobre a nossa identidade profissional, o que pode provocar pensamentos de impostor, associados ao medo de sermos descobertos como impostores”, gerando ainda sentimentos depressivos e de ansiedade.

Sendo um tema tão presente no meio profissional, vamos explicar melhor, neste artigo, o que é a Síndrome do Impostor, as suas consequências e o que fazer para se livrar dessa sensação de incapacidade bloqueadora.

Síndrome do Impostor: o que é e como identificar?

Tal como já referimos, a Síndrome do Impostor é uma desordem psicológica que se caracteriza por um padrão de comportamento através do qual coloca em causa todas as suas conquistas, vivendo no medo constante de os outros perceberem que é um incompetente. Qualquer pessoa pode experimentar esta síndrome, considerando que aquilo que de bom lhe acontece será sorte ou motivado por qualquer outra causa externa. 

Estas crises estão relacionadas com a avaliação que faz de si e do seu desempenho, e que é normalmente negativa, afetando a autoestima e, consequentemente, o desempenho de qualquer empreendedor. 

Síndrome do Impostor: quais os sinais a que devo estar atento?

Vejamos alguns exemplos de pensamentos que estão presentes naqueles que sofrem com a Síndrome do Impostor:

- Atribuição do seu sucesso a causas externas
“Se fiz alguma coisa bem, foi porque tive sorte.”
“Correu bem, hoje, mas não vai correr bem para a próxima.”
“Se há qualidade não foi meu mérito, mas sim porque toda a equipa funcionou bem, eu não sou mais do que os outros.”
“Só estão a elogiar-me porque têm pena de mim.”

- Nervosismo e desespero
“Vou fazer uma apresentação, todos vão perceber o meu nervosismo, vou bloquear e todos saberão que não percebo nada disto.”
“Nesta reunião vou manter-me calado, porque se apresentar as minhas ideias, todos vão achar ridículas e desapropriadas ao cargo que desempenho.”

- Comparação negativa com outros
“Eu sou o único menos capaz aqui, todos são super bem-sucedidos e confiantes.”
“Não entendo por que me promoveram a mim. Não vou corresponder às expectativas.”
“Só vou ser promovido porque não há mais ninguém que faça este trabalho.”

Todos estes pensamentos tendem a prejudicar o desempenho pessoal e profissional e podem trazer consequências desastrosas.

Síndrome do Impostor: quais as consequências para os empreendedores?

Perante estes cenários mentais, os empreendedores esforçam-se ainda mais para provar a si e aos outros que têm valor. Ambicionam o perfecionismo excessivo, vestem a capa da insegurança e têm medo do fracasso. Além do mais, este profissional negativiza e sabota-se a si próprio para evitar um determinado patamar de sucesso, que julga não merecer. É exigente consigo mesmo, em constante comparação com os outros, julgando-se inferior ou menos sabedor.

Perante a Síndrome do Impostor em empreendedores, a todo o momento, a pessoa evita a avaliação: tarefas adiadas com receio de críticas, porque, na verdade, não acredita na sua capacidade e valor. Assim como evita a exposição: que o sujeite a avaliação.

Por fim, tenta agradar a todos, para que não descubram as suas falhas.

Quando se vive neste ambiente, a produtividade é afetada, assim como se perdem oportunidades diversas. É também uma condição que traz outros males como o stress, por vezes exacerbado – Burnout, a ansiedade, o nervosismo, a depressão, a vergonha, a baixa autoestima e, evidentemente, este pacote é debilitante para qualquer pessoa. 

O Burnout é um problema de saúde que merece, igualmente, atenção. Para saber mais sobre esta doença laboral do século XXI, leia o nosso artigo sobre o Burnout.

A Síndrome do Impostor tem cura?

O contexto pessoal, familiar, profissional, e todo o seu histórico de experiências, influenciam a força com que a Síndrome do Impostor se instala. Nem sempre é fácil combater o medo, o stress ou ansiedade a ela associadas. Existe enorme pressão para evitar falhas que poderão mostrar que não está à altura do desafio. A “cura” virá com a realização de um longo trabalho interior e mental.

Procure a ajuda de familiares, de amigos e de um profissional que possa acompanhá-lo a emergir dessa síndrome. Lembre-se ainda que estes sentimentos podem estar presentes nas mais variadas áreas da vida pessoal, profissional, em casa, no trabalho, na escola e em relacionamentos diversos.

Como combater a Síndrome do Impostor?

O primeiro passo para reverter esta desordem psicológica é entender as razões por que tem esses pensamentos e trabalhar para os mudar. Se isso o fizer sentir mais seguro, estude mais, leia, procure mais informação sobre áreas em que considera ser mais fraco.

Contudo, no final de contas, deverá acreditar em si, evitando comparações com outros profissionais. 

É fácil? 

Não. 

Por isso escrevemos este artigo, ou seja, para alertar para a importância de combater este problema.

8 dicas para combater a Síndrome do Impostor

  1. Mude os pensamentos

    É normal duvidarmos de nós próprios, mas essa dúvida provavelmente não reflete a realidade. Mesmo que existam lacunas, pense que podem ser resolvidas.

  2. Estude

    Há uma área do saber que não domina? Interiorize que não somos obrigados a saber tudo e há sempre margem para estudar e aprender.

  3. Agradeça um elogio - Acredite em si

    É meio caminho andado para tomar consciência do seu valor!

  4. Repita para si em voz alta e/ou escreva

    Interiorize as suas boas capacidades. Lembre-se que a palavra dita e escrita é muito forte para o cérebro. Seja positivo!

  5. Faça uma lista das conquistas

    Tem má memória sobre os seus feitos? Liste tudo aquilo que mostrou o seu valor: prémios, elogios, um email especialmente positivo.

  6. Foque-se no meio e não no fim

    Nem sempre conseguimos os resultados que desejamos. Ninguém é perfeito. Mas tudo aquilo que fez pelo caminho pode ter sido glorioso. ”Antes feito do que perfeito”

  7. Evite comparações

    Somos todos diferentes e únicos. Desenvolva as competências que lhe interessam.

  8. Partilhe os sentimentos com outros

    Rapidamente descobrirá que não está sozinho. Encontrará empatia.

Por falar em partilhar...

Inspire-se no vídeo de uma Ted Talk em que um empreendedor, invadido por estes sentimentos de baixa autoestima, conta que se cruzou um dia com Belmiro de Azevedo, o patrão da empresa multinacional portuguesa SONAE.

O autor da Ted Talk, Mike Cannon-Brookes, explica que ao falarem sobre este assunto, o próprio Belmiro de Azevedo partilhou que sentia o mesmo, ou seja, que não era merecedor de reconhecimento, apesar do seu claro sucesso.

No empreendedorismo, ultrapassar o medo de falhar é aquilo que nos torna bem-sucedidos. Assim, se estiver perante a Síndrome do Impostor, além de aconselharmos pedir ajuda a terceiros, pode também estudar melhor o tema.

Através da leitura dos livros que recomendamos, perceba quais os sintomas e encontre estratégias ou inspiração para combater a síndrome do Impostor e a autossabotagem:

  • The Imposter Cure: How to stop feeling like a fraud and escape the mind-trap of imposter syndrome, por Dr. Jessamy Hibberd (em inglês);

  • A síndrome do Impostor: como entender e superar essa insegurança, por Sandi Mann (português do Brasil);

  • És mais do que aquilo que pensas, por Kimberly Snyder;

  • Síndrome da Impostora, por Rafa Brites (Ebook - português do Brasil).

Adicionalmente, espreita algumas das nossas sugestões de leitura adequadas para enfrentar os desafios do empreendedorismo, que o podem ajudar a navegar os seus desafios profissionais e a ultrapassar algumas inseguranças.


Sandra M. Gomes

A Sandra é entusiasta de comunicação, com formação em diversas áreas. Depois do jornalismo dedicou-se à produção de conteúdo digital e no papel. É dedicada ao trabalho, preocupada com o ambiente e apaixonada por gatos.

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